segunda-feira, 2 de junho de 2008

Filosofando sobre a Caixa Preta

Sobre o texto de Vilém Flusser (1985): A FILOSOFIA DA CAIXA PRETA: O aparelho não é um instrumento no sentido tradicional, já que permite um conhecimento mais aprofundado de suas funções e como melhor utilizá-las. O operador deve esgotar as possibilidades de sua manipulação, mesmo sendo ideal que o aparelho tenha mais potencialidade a fim de exceder à capacidade do operador esgotá-las. Dominar o aparelho não significa saber o que se passa no interior de sua caixa. O que vale não é quem possui o aparelho, mas quem é capaz de esgotar suas possibilidades. Conseguir o simbólico, o verdadeiro sentido de transvalorização de valores que ignoram o objeto, e ressaltando o símbolo que ele vale. “Trata-se de um brinquedo complexo; tão complexo que não poderá jamais ser esclarecido” São caixas pretas que simulam o pensamento humano e permutam símbolos contidos em sua memória”. Decifrar fotografias implica em decifrar as condições culturais dribladas. O fotógrafo não pode fotografar processos. O aparelho transcodifica o que está em cena para magicizar tudo. A manipulação do aparelho é gesto técnico que articula conceitos, e que obrigam o fotógrafo a transcodificar suas intenções em conceitos, antes de transcodificá-la em imagens. Fotografias são, portanto, imagens de conceito. No cinema e no vídeo, a alteração se dá pelo movimento, já que a ilusão faz com que, a cada segundo, fragmentos do filme sejam transformados em unidade imagética que porconseguinte pode sofrer alteração dos efeitos de vídeo e transições particulares, incluídos na edição de imagem. (in: Do Ìndio aos Arcos - um olhar artemidiático.)

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