sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

ATIVISMO NA MÍDIA

UMA CONSPIRAÇÃO DA COOPERATIVA DE COMPARTILHAMENTO DE VÍDEO Fonte:www.rizoma.net
Por Fernanda Cimino
V2V é o formato Peer-to-Peer criado por um coletivo de ativistas de mídia da Europa com o fim de articular uma rede de trocas de vídeos independentes e como base de apoio em manifestações como nos recentes protestos contra a reunião do G-8 em Evian, França. A Base do grupo está no Indymedia alemão.
NÃO HÁ RAZÃO PARA SER OTIMISTA A inovação tecnológica trouxe consigo novos regimes de restrição de uso da mídia e novamente aprisiona o potencial libertador em sistemas de comando e controle ainda mais avançados. A transformação tecnológica é sempre acompanhada de grande entusiasmo e novos paradigmas estéticos que em última instância reinventam as rodas que moverão as velhas indústrias de sempre. O CINEMA NUNCA MORRERÁ Ao mesmo tempo, a última democratização do cinema está realmente acontecendo através do florescimento de milhares de projeções públicas, festivais de cinema em lugares impossíveis, pela ocupação de velhas salas de projeção que, pertencendo à era de ouro do cine, se tornaram salas de pornô e foram então abandonadas à própria sorte. Estes lugares estão agora tendo uma nova vida graças à acessibilidade da tecnologia de projeção, e a um interesse difuso na reapropriação da imagem pelas próprias pessoas e no uso da linguagem cinematográfica. Não é uma questão de tecnologia ou de estética. É uma questão de iniciativa. O cinema dos nossos avós já morreu tantas vezes, mas como por milagre ele ressuscitou também vezes seguidas e a cada vez ele se encontra cada vez mais cercado de filhos ilegítimos.
A QUEM ISSO POSSA PERTENCER Assim nos colocamos a questão da propriedade intelectual: A quem pertence uma imagem? A quem está sendo retratado, a quem o produziu? Ou a quem fez cópias dele? Ou ele pertence a todos? Sabemos que não há uma solução final para tais questões. Mas aprendemos: Novos filmes estão baseados em novas liberdades. A liberdade do sujeito que sabe estar sendo filmado e decide deixar sua imagem correr solta no reino da simulação. A liberdade do produtor de distribuir suas próprias criações nos canais e com as permissões que ele ou ela escolham. A liberdade do público de projetar em espaços privados ou comuns os frutos das visões das pessoas. A liberdade da platéia de tirar suas próprias conclusões. Isto é pelo menos uma resposta à corrupção da indústria do entretenimento e ao tedio sem fim do individualismo burguês. O autor está doente, e sua onipotência alucinada está agora nas mãos das multidões digitais. As multidões se tornam os produtores conscientes, os propietários, os reutilizadores de toda imagem disponível.
RE-COLOCANDO AS IMAGENS Acreditamos em imagens com códigos abertos: Reacessando a herança cinematográfica de outras gerações, emitindo o general intellect, potencializando as narrações coletivas, mudando pontos de vista, compartilhando conteúdos, habilidades e recursos rapidamente, possibilitando múltiplas conexões entre nodos criativos e redes. Produção e distribuição vão finalmente se convergir num processo de compartilhamento de suas imagens com outras.Imagens virtuais que todos podem editar, mudar, repassar, voltar e dar o PLAY.

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